Artigos Escritos por Eduardo Araújo

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O que executivos e organizações deveriam saber sobre a vida

A natureza descobre a economia

Neste dia do índio, alguns convidados talvez não venham

 

 

O que executivos e organizações deveriam saber sobre a vida

A vida no planeta se desenvolve em um contexto que nos é dado e as organizações tratam do que fazemos com aquilo que nos é dado.
As leis da gravidade e do eletromagnetismo nos são dadas, com conhecimento delas e as utilizando a seu favor muitas empresas e criações tem tido sucesso. Assim como sabemos ser ingênuo tentar subir um rio contra a correnteza, não tentamos ir contra estas leis da natureza, mas sim entendê-las e utilizá-las a nosso favor.
Fritjof Capra, um físico estudioso da vida, compilou no que ele chama de Ecologia Profunda alguns dessas leis ou princípios básicos da vida, ou seja, aquilo que nós é dado!
O primeiro princípio é que a vida em sua multiplicidade de espécies se auto-organiza em redes de indivíduos e de espécies através de constante troca de informações. Neste primeiro principio básico vão:
Este é só o primeiro princípio, mas já ficam algumas reflexões: estamos entendendo que este é um principio básico da vida e nos organizando segundo ele, ou estão tentando operar isoladamente, de forma autoritária? Como estamos organizando nossas empresas? Como estamos organizando nosso projetos? Estamos funcionando como uma rede aonde as pessoas se relacionam, tem autonomia, trabalham e exercem todo o seu potencial e criatividade para buscar determinados objetivos. Pessoalmente estamos atuando em rede?
Outro princípio é de que a vida se organiza em sistemas animados. Sistemas dentro de sistemas, ou estão dentro de outros sistemas mais complexos. Assim a empresa é uma rede de pessoas, cada pessoa tem sua rede de relacionamentos, a empresa pertence a uma rede de empresas do mesmo setor, esta rede do setor esta dentro de uma rede empresas de vários setores, que por sua vez faz parte de uma rede econômica com diversos outros atores que também faz parte de uma rede de pessoas que formam a sociedade e a cultura. Reconhecendo este princípio básico da vida fica a pergunta: o quanto pessoalmente é organizacionalmente estamos participando ativamente dessas redes? A vida funciona desta forma, quem não está em harmonia com as leis da vida adoece e eventualmente morre!
O fluxo de matéria, de energia e de informação é outro princípio básico da vida. Lavoisier explicitou muito bem isto quando enunciou que: “ na natureza nada se perde nada se cria, tudo se transforma”. Ou seja, a matéria e a energia do universo são as mesmas desde a sua criação. Entendendo este princípio vem a questão: pessoalmente e organizacionalmente você tem ajudado este fluxo de energia, de matéria e de informação a acontecer, ou você tem segurado este fluxo criando poças de estagnação? Fluir significa procurar entender as mudanças e transformações que estão acontecendo e como um surfista habilidoso posicionar no mar a sua prancha para aproveitar a onda, e não ao contrário, tentar segurar a onda ou se esconder e fingir que ela não existe. Assim como o surfista, a cada momento temos a escolha de remar duro e pegar as ondas, de ficar aonde estamos e deixar a onda passar ou de remar contra onda. A vida nos dá a escolha, mas ela tem um fluxo claro e determinando.
Como a matéria, a energia e a informação circulam, um outro principio básico é a existência dos ciclos. A água do mar evapora, condensa-se no espaço formando as nuvens, o vento leva as nuvens para o continente, a água condensada se precipita em forma de chuva sobre as montanhas e os rios, que escorrem caudalosos para o mar. Este é um ciclo clássico. Um fruto amadurece, cai, se decompõe em nutrientes, que são absorvidos pela raiz, levados para cima em forma de seiva que alimenta o fruto. Como tudo na natureza está incorporado a muitos ciclos ficam as perguntas: você e sua organização percebem bem esses ciclos? Você trabalha em harmonia com eles? Os insumos que você utiliza na empresa são reintegrados aos ciclos da natureza?
Um último principio básico da vida que gostaria de aqui mencionar é o equilíbrio dinâmico. A vida está em constante movimento, em busca de equilíbrio e de harmonia. Assim uma espécie que encontra abundância de alimento, se reproduz e fica forte, até que pela população exagerada encontra escassez de alimento e começa a morrer. A vida busca o equilíbrio que nunca é alcançado, por que o equilíbrio seria a cessação do movimento e isto é a morte! Entendendo este principio a pergunta que fica é: você e sua organização percebem este movimento constante, aparentemente em direção a extremos opostos mas sempre em busca de equilíbrio? Você já viu movimentos para centralizar os processos nas empresas que no começo dão supercertos, melhoraram a eficácia dos processos, reduzem os custos, simplificam as operações, melhoram a qualidade. Mas o tempo vai passando e o exagero da centralização começa a engessar a empresa, o excesso de burocracia torna os processos lentos, a padronização exagerada faz com que não esteja adequada aos diversos contextos e a criatividade da empresa diminui. Neste momento vem um movimento natural de descentralização que por incrível que pareça também da super certo, a criatividade ganha espaço, surgem soluções descentralizadas, o atendimento melhora e os clientes ficam mais satisfeitos. O que o equilíbrio o dinâmico nos mostra é que no movimento da centralização e da descentralização o que realmente importa é estar sempre atento e avaliando o que e até que ponto centralizar e o que e até que ponto descentralizar.
Em resumo o que procuramos mostrar é que a vida tem alguns princípios básicos imutáveis – rede, sistemas aninhados, fluxo, ciclos, equilíbrio dinâmico – se pessoal e organizacionalmente os entendermos temos a possibilidade de co-criar nos beneficiando do trabalho em harmonia a vida. Assim criamos organizações a favor da vida que tem por isto uma razão maior para existir.

Eduardo Manoel Araujo – Curitiba – Verão – 2007

Autor do livro “Um Sonho Possível – do materialismo não sustentável a uma vida holística sustentável” publicado pela Willis Harman House, Fundador e Diretor da Associação Arayara de Educação e Cultura – uma ONG criada para contribuir com a melhoria da educação, da cidadania e da qualidade de vida em escolas, comunidades e organizações. Líder parceiro da Fundação AVINA e Assessor de Meio Ambiente da Companhia Paranaense de Energia – COPEL.

Seus temas de interesse atual são: Valores humanos e espiritualidade de pessoas e organizações; Consciência holística e ecológica de desenvolvimento sustentável; Liderança apreciativa e consciente; Desenvolvimento de pessoas, comunidades e organizações; Gestão estratégica.

 

A natureza descobre a economia

Oi pessoal, bom dia! E que dia! Sabe vou me apresentar, sou a Natureza, alguns até me chamam de mãe. O que confesso me deixa muito orgulhosa! Mas o que queria contar para vocês éue resolvi estudar economia e fazer um MBA. Pode parecer estranho, mas resolvi entender o que é essa tal de sustentabilidade e o tal equilíbrio entre o econômico, o social e ambiental. Com isso espero me integrar melhor nesse sistema que vocês inventaram!
Pelo que entendi até agora, cada vez que produzo, a partir de alguns insumos, um produto ou serviço, tenho o direito de cobrar por ele. Então comecei a fazer umas reflexões e percebi que produzo algumas coisinhas muito interessantes: o ar que respiram, o seu alimento, as fibras que utilizam, o combustível e a energia que usam.
Ai pensei: este é um conjunto de produtos bem abrangente, talvez seja melhor formar uma corporação para administrar um conjunto de empresas dedicadas aos diversos conjuntos de produtos e segmentos de mercado. Primeiro vou fundar a Ar Renovado que coleta o CO2 e num processo de alta tecnologia, que envolve muita energia, chamado fotossíntese produz o mais puro oxigênio. Ah! Já fiz um estudo de mercado e consegui identificar um conjunto de 6 bilhões de clientes em potencial, com todo este mercado apesar do volume de energia e da complexidade da tecnologia estou pensando que com alguns centavos cobrados por metro cúbico do produto já dá para passar o ponto de equilíbrio (break-even point viram que chique como estou aprendendo?)
Uma segunda empresa que ocorreu criar é a Crescimento de Alimentos, Fibras e Madeira. O processo desta empresa é também bem complexo, pois ela identifica e absorve nutrientes, além de ter um elevador de seiva que a leva desde o sub-solo até as folhas na cobertura fazendo a sua distribuição para todas as células. Ah! Tem também o seqüestro de carbono que retiro do ar para formar a estrutura da planta. O conjunto de produtos que esta empresa produz é bastante diversificado e vi que tenho como clientes: 6 bilhões de pessoas e um imenso número de empresas de produção de alimentos, fibras, energia e madeira. Por isto aqui também estou pensando em cobrar alguns centavos por tonelada de produto que já terei uma empresa bem lucrativa. Estava pensando até em criar um departamento nesta empresa para cuidar do fornecimento de petróleo, já que as empresas clientes não são muito exigentes e dá para entregar o produto no subsolo mesmo. A tecnologia aqui é bem sofisticada e tem também o fator tempo de produção que leva alguns milhões de anos. De qualquer forma uns poucos Euros por um barril de petróleo devem ser mais que suficientes. Para não me estender muito gostaria de falar de uma empresa no segmento de serviços é a Renaturalizar que se encarrega dos serviços de despoluição da água envolvendo a decantação, a recuperação do nível de oxigênio, a dessalinização, a evaporação, a precipitação e a filtragem através do lençol freático até os aqüíferos subterrâneos. O mercado de produção de água potável é incrível: 6 bilhões de pessoas, todas as empresas, organizações, escolas e instituições. Dá pra imaginar o que são alguns centavos por litro de água potável para todo este mercado? Posso atender a toda a pirâmide de mercado.
Só uma coisa ainda me preocupa? Onde investir toda esta grana? Sempre fui muito generosa e por isto pensei que esta corporação poderia ser uma ONG, faz mais sentido para mim. Com isto poderia com todo este volume de recursos criar um fundo para ajudar a promover projetos e ações visando o equilíbrio socioambiental.
Puxa, como sou inteligente! Pois estes projetos vão investir na conscientização e na redução dos riscos socioambientais o que vai facilitar o meu trabalho e reduzir os meus custos de produção.
Sabe, só aqui entre nós, já tem um professor doutor lá na universidade pensando em orientar uma tese de mestrado minha. Ele acha que isto pode render um premio Nobel!
De minha parte estou muito feliz com a evolução deste processo que tem me ajudado a entender este sistema econômico que vocês criaram e com isto acho que da voltar aprender através do amor (e da economia que dói no bolso) e menos através da dor dos grandes movimentos que vez por outra me vejo obrigada a fazer para trazer as coisas mais para o equilíbrio.
Obrigado por me ensinarem essa tal de economia, agora falando a mesma língua vai ficar mais fácil de a gente se entender.

Eduardo Manoel Araujo – Curitiba – Outono – 2007

Autor do livro “Um Sonho Possível – do materialismo não sustentável a uma vida holística sustentável” publicado pela Willis Harman House, Fundador e Diretor da Associação Arayara de Educação e Cultura – uma ONG criada para contribuir com a melhoria da educação, da cidadania e da qualidade de vida em escolas, comunidades e organizações. Líder parceiro da Fundação AVINA e Assessor de Meio Ambiente da Companhia Paranaense de Energia – COPEL.

Seus temas de interesse atual são: Valores humanos e espiritualidade de pessoas e organizações; Consciência holística e ecológica de desenvolvimento sustentável; Liderança apreciativa e consciente; Desenvolvimento de pessoas, comunidades e organizações; Gestão estratégica.